Questionamentos Psicológicos que Auxiliam no Processo de Autoconhecimento

Psicologia e autoconhecimento - Desbravando a Psique

Imagem meramente ilustrativa 

O autoconhecimento é comumente citado como uma das competências mais importantes para o crescimento pessoal, emocional e interpessoal.  Posso acrescentar que é a base do pilar de uma vida equilibrada juntamente da autoanálise para um sujeito que busca evoluir. 

Compreender quem somos, nossos sentimentos, nossas reações a determinadas situações e as razões pelas quais fazemos determinadas escolhas não só reforça a saúde mental, como também nos habilita a viver de forma mais coerente, equilibrada e autêntica.

Contudo, esse procedimento não acontece de forma abrupta. É necessário ter intenção, prática e, sobretudo, disposição para observar com curiosidade e sinceridade, sem julgar ou pressionar a si mesmo. 

A psicologia, como ciência que estuda o comportamento e os processos mentais, disponibiliza instrumentos essenciais para nos auxiliar nessa jornada, incluindo algumas perguntas poderosas que atuam como portais para o nosso universo interior, as deixarei a seguir juntamente de algumas considerações.

1. A questão inicial é: "Como estou me sentindo agora?"  

Pode parecer uma questão simples, até banal, mas a realidade é que a maioria das pessoas vive seus dias sem realmente se conectar com seus sentimentos, como se estivessem em um "modo automático", principalmente em consequência da pressão do dia a dia.  Sentimos ansiedade, angústia ou melancolia, porém frequentemente ignoramos tais sentimentos ou fornecemos respostas  prontas como "estou bem" ou "na medida do possível", quando, na verdade, algo em nosso interior solicita uma atenção maior.  

A psicologia nos instrui que identificar uma emoção é uma etapa crucial para entendê-la e, consequentemente, controlá-la, não de um modo a reprimir, porém canalizando tal emoção para expressa-la de forma adequada.  Ao reconhecer e aceitar o que sentimos sem julgamento, podemos fazer escolhas mais assertivas em vez de agir por impulso ou por costume.

 

2. A segunda questão é: "De onde surge essa emoção ou essa conduta?" 

É crucial compreender a origem dos nossos sentimentos e ações para quebrar padrões automáticos.  Frequentemente, nossas atitudes são respostas a experiências passadas.  Por exemplo, uma pessoa que evita conflitos a todo custo pode ter se desenvolvido em um ambiente onde a expressão de opiniões resultava em punição ou rejeição.  Ou uma pessoa que se cobra excessivamente pode ter aprendido, desde a infância, que só seria apreciada se fosse "perfeita".

Neste cenário, a psicoterapia auxilia na identificação mais clara dessas origens.  No entanto, mesmo fora do ambiente clínico, questionar a origem das nossas emoções e comportamentos pode resultar em um entendimento mais aprofundado de quem somos e por que agimos da maneira que agimos.

Um exercício prático é a escrita de um diário, sendo possível escrever de uma forma espontânea sobre si mesmo e situações do dia a dia, tendo assim uma perspectiva mais ampla dessas situações. Se, por exemplo, você teve uma crise de ansiedade em determinado lugar, após o ocorrido, ao escrever e detalhar o acontecimento em um diário, fica mais fácil analisar as origens desse problema. 

 

3. A terceira questão é: "Quais são os meus princípios e o que é significativo para mim?"  

Numerosas pessoas vivem em um tipo de ciclo vicioso, satisfazendo expectativas superficiais, repetindo rotinas ou adotando objetivos que nem sequer foram definidos por elas.  Refletir sobre o que realmente possui valor pessoal - liberdade, estabilidade, família, educação, espiritualidade - é uma maneira de recuperar o controle da própria existência. Em suma, ter objetivos bem definidos.

Ao seguir seus valores, suas escolhas tornam-se mais lógicas e suas ações adquirem coerência.  A psicologia, em particular, aprecia essa procura por sentido como um elemento crucial para o bem-estar psicológico.

Quando se sabe o que quer e onde se quer chegar, fica mais fácil saber quem se é, todo ser humano precisa de sentido e propósito para viver.

Finalmente, a quinta questão e última: "Quem sou eu além das minhas realizações, erros e rótulos?"  

Estamos inseridos em uma sociedade que nos estimula constantemente a nos identificarmos pelo que realizamos, alcançamos ou demonstramos.  Entre o ter e o ser existe uma linha bastante tênue, ao ponto de não conseguirmos mais distinguir quem somos do que apenas desejamos momentaneamente.  

No entanto, o autoconhecimento mais aprofundado inicia-se ao olharmos além disso.  Quem somos quando não procuramos satisfazer, demonstrar ou atender a expectativas?  Esta questão instiga uma reflexão acerca de identidade e aceitação pessoal, muitas vezes agimos buscando aprovação sem levar em consideração nossa própria autenticidade.  

Existe todo um contexto social no qual estamos inseridos, assim como cobranças e padrões impostos por esse contexto, porém, a subjetividade precisa ser trabalhada de uma forma saudável, de forma a integrar-se ao meio social sem perder a própria singularidade, para fazer parte não é necessário ser aceito. 

Antes de ser complacente com o outro é necessário ser consigo mesmo. 

 

 Por: David Alves Mendes

Popular Post