A Autoestima segundo a Psicologia

 Psicologia, bem-estar, autoestima

Imagem meramente ilustrativa 

A autoestima é uma ideia frequentemente mencionada em diálogos, redes sociais e até campanhas publicitárias, porém raramente entendida em sua totalidade.  Numerosas pessoas a associam à autoconfiança ou pensam que autoestima se limita a apreciar a própria estética.  No entanto, a psicologia científica demonstra que a autoestima é um fenômeno bastante complexo, multifatorial e crucial para o bem-estar emocional do que se pensava anteriormente.

Sob uma perspectiva técnica, a autoestima representa a avaliação subjetiva que um indivíduo faz de si mesmo, isto é, o valor emocional que ele atribui à sua própria existência, à sua identidade, às suas ações e à sua posição no mundo.  Este é um processo interno, que se desenvolve desde a infância, fundamentado em experiências de aceitação ou rejeição, nos vínculos afetivos criados, nas mensagens recebidas de figuras de autoridade e no ambiente social onde o indivíduo se forma.

A psicologia do desenvolvimento já comprovou que crianças criadas em ambientes seguros, onde são apreciadas e incentivadas a expressar-se, tendem a desenvolver uma autoestima mais robusta.  Por outro lado, experiências caracterizadas por críticas constantes, punições, descuido emocional ou comparações exageradas favorecem a construção de uma autoimagem debilitada, distorcida e suscetível à percepção alheia.


Sob a perspectiva neurocientífica, a autoestima está intrinsecamente ligada a regiões cerebrais associadas à autopercepção, empatia e controle emocional, tais como o córtex pré-frontal medial e o sistema límbico.  Estudos de neuroimagem indicam que indivíduos com baixa autoestima ativam mais intensamente as áreas ligadas ao medo e à rejeição social, mesmo em contextos neutros, tornando-os mais propensos a interpretações negativas e respostas defensivas.  Isso implica que, do ponto de vista biológico, indivíduos com autoestima debilitada veem o mundo de forma mais intimidadora.

Portanto, a maneira como nos enxergamos influencia a maneira como interpretamos a realidade, fazemos escolhas e interagimos com os demais.  Isso esclarece por que a baixa autoestima é comumente ligada a situações de ansiedade, depressão, insegurança persistente, dificuldade em definir limites e relações interpessoais caracterizadas por dependência emocional ou submissão.

A autoestima também exerce uma função adaptativa crucial.  Ela funciona como um "indicador social", auxiliando-nos a compreender como estamos nos comportando em nosso meio e em nossas relações.  Uma autoestima equilibrada possibilita a identificação de falhas sem desânimo, a aceitação de elogios sem presunção, o pedido de auxílio sem se sentir inferiorizado, além de manter uma percepção realista de quem se é - com suas qualidades e limitações.

E o mais crucial: ela não é estática.  A ciência atual demonstra que a autoestima pode ser modificada.  Apesar de ter origem em experiências passadas, ela pode ser fortalecida através de novas experiências, reformulação de crenças limitantes, exercício de autocompaixão e contato com relações mais seguras e respeitosas.


A terapia é uma das estratégias mais eficientes nesse processo.  Através de métodos fundamentados em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o indivíduo é estimulado a reconhecer pensamentos distorcidos sobre si mesmo, trocá-los por interpretações mais realistas e aprimorar comportamentos de autocuidado e reconhecimento do próprio valor.

A prática da autocompaixão, objeto de estudo de pesquisadores como Kristin Neff, tem se mostrado uma forte aliada na formação de uma autoestima mais sólida, uma vez que instrui o indivíduo a tratar-se com a mesma empatia que dispensaria a alguém querido.  Em vez de autocrítica, prevalece o acolhimento.  Em vez de cobrança destrutiva, emerge a responsabilidade individual com amabilidade.

A ciência também revelou que a autoestima está mais ligada à autenticidade do que ao desempenho ou à aparência.  Indivíduos que vivem de acordo com seus valores, mesmo sem grandes realizações externas, tendem a se enxergar como mais valiosos do que aqueles que estão constantemente tentando satisfazer as expectativas alheias ou manter uma imagem idealizada.  Isso evidencia que a autoestima não é construída com curtidas, títulos ou elogios efêmeros, mas com o empenho diário em ser quem se é, tratar os outros com respeito e viver com um propósito.

Assim, ao abordarmos a autoestima, estamos indo além de simplesmente nos sentirmos "confortáveis conosco mesmos".  Falamos de um alicerce emocional que apoia decisões, relações, superação de desafios e construção de propósito na vida.  A ciência evidencia: a autoestima não é um luxo, mas sim uma questão de saúde mental.  

E é importante que você saiba — e lembre — que ela pode ser cultivada diariamente, através de consciência, esforço e atenção.  Por fim, reconhecer o próprio valor é o primeiro passo para não aceitar menos do que se é digno.

 

Por: David Alves Mendes  

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